Sustentabilidade Empresarial: do mero compromisso para a sua efetiva implementação

As organizações têm um percurso que é único, que evolui, que muda e que é a base da sua experiência; exercem as suas atividades num determinado contexto no qual interagem sendo modificadas e transformadas, assim como modificam e transferem para o seu contexto os impactos da sua atividade. Desta forma as empresas, através das suas ações como sujeitos ativo,s levam a cabo mudanças que afetam as dimensões económicas, ambientais e sociais do seu contexto.

Um artigo de Winston Jerónimo Silvestre, assessor de gestão e desenvolvimento sustentável

Assim, por um lado, temos os consumidores e todo um conjunto de stakeholders diferenciados que procuram incessantemente maximizar a sua utilidade e, por outro, a empresa que pretende de forma eficiente obter a melhor combinação entre o trabalho e os recursos utilizados.

É nesta dinâmica que as empresas geram uma multiplicidade de impactes. A intensidade dos mesmos está diretamente relacionada com o sector de atividade a que pertencem, dependendo do ciclo de vida dos seus produtos e serviços, da sua cadeia de abastecimento, da relação que estabelecem com os diferentes stakeholders e da sua Responsabilidade Social Corporativa (RSC).

São diversas as abordagens que referem que estamos a assistir nos últimos anos a uma mudança de paradigma empresarial, sendo necessário estar consciente dos principais desafios económicos, sociais e ambientais que terão de ser enfrentados. Sendo que o principal repto é decidir quais as ações e iniciativas pelas quais deverão optar as empresas para fazer face aos desafios da sustentabilidade.

As empresas que escolhem optar pelo desafio da sustentabilidade obtém, regra geral benefícios tangíveis e intangíveis que se traduzem em melhorias económicas, são emocionalmente mais atraentes para trabalhar, são mais atrativas aos investidores, apresentam níveis de reputação e governança elevados assim como, níveis elevados de qualidade de produtos, inovação, ética social e ambiental.

Porém, e apesar de existir um incremento por parte das empesas em optar por comportamentos sustentáveis (nível micro) os estudos mostram que o estado geral do nosso planeta (nível macro) é preocupante. Assim, a melhoria que é necessária efetivar a nível global não esta dependente só das empresas mas sim de uma ação concertada e alargada que inclua todos os stakeholders.

Esta discrepância entre o micro e a macro escala pode estar relacionada com o facto de não se estar a avaliar de forma correta os impactes provocados pelas empresas. Alguns autores referem que não existe a melhor maneira nem a forma única para medir as atividades da sustentabilidade corporativa.

Assim, o debate sobre a RSC está a deslocar-se da possibilidade de assumir compromissos, para como implementar, manter, melhorar as práticas de RSC e como avaliar os seus impactes e resultados. Isto é, como integrar no planeamento estratégico os princípios da sustentabilidade, qual a capacidade de know-how para redefinir o seu crescimento em cada momento, capacidade de criar oportunidades de mercado, implementação de novas formas de utilizar e reutilizar os recursos, que forma deve utilizar para se relacionar e integrar os diferentes stakeholders, o que medir e como medir para monitorizar e avaliar os seus resultados, que canais de comunicação utilizar para divulgar suas intenções, propostas e resultados enquanto criação de valor e de valor partilhado.

Neste sentido existem três aspetos que se encontram interrelacionados e devem ser tidos em consideração:

  • O primeiro aspeto tem a ver com a necessidade de uma abordagem sistemática e planificada;
  • O segundo aspeto é a medição e avaliação da RSC para garantir que os processos de negócio são regularmente monitorizados e avaliados;
  • O terceiro aspeto prende-se com iniciativas de comunicação aos stakeholders.

Contudo, continua a verificar-se na teoria das empresas, seja na vertente da economia convencional seja nas abordagens próximas dos princípios da economia sustentável, um denominador comum que é a obrigatoriedade da empresa de gerar proveitos.

Assim, é fundamental que as empresas assumam medidas ousadas para as dimensões ambientais e sociais, já que a sustentabilidade genuína esta nos níveis de bem-estar criados hoje e para o futuro. Esta tarefa não se revela ser fácil e envolve uma multiplicidade de variáveis e constrangimentos difíceis de determinar e controlar, mas terá que ser feita.

Porém, as empresas não estão todas no mesmo contexto nem na mesma maturidade operacional. Assim, ela será mais ou menos sustentável e socialmente responsável se mostrar capacidade de se adaptar de forma proactiva aos diferentes ambientes, os quais tem como característica principal estarem em constante mudança.

A presença ou ausência de valor criado pelo desempenho das atividades da empresa refletir-se-á sobre a partilha dos recursos para as dimensões do triple bottom line (TBL - económicas, ambientais e sociais) e isso influenciará positiva ou negativamente o desempenho da sua sustentabilidade. Assim, o resultado das combinações dos diferentes fatores nas dimensões do TBL dará origem a oportunidades de melhorias operacionais implicando capacidade adaptativa para a sustentabilidade, sendo que esta capacidade adaptativa dependerá da empresa e do setor de atividade.

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Este artigo foi escrito pelo professor Winston Jerónimo Silvestre, especialista em desenvolvimento sustentável.

Winston Silvestre é coordenador do programa Sustentabilidade Empresarial: Gestão de Ameaças e Oportunidades

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